A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ensaios da existência cotidiana

Vivendo os dias que temos, ou aqueles que já gastamos, chegamos a uma conclusão possível: de que a poesia é uma das experiências estéticas mais emocionantes da existência humana. É a demonstração das revoluções sucessivas provocadas pelos sentimentos. Em um único dia, dentro de um singelo copo d’água, armam-se tempestades colossais. Depois, nasce o Sol e desaparecem os raios e trovões. E tudo o que era úmido volta a secar. E as gotas d’água congregam, convergem e reencontram os oceanos.
O que desperta a humanidade essencial dentro de nós mesmos, é perceber a vida em suas nuances mágicas, não o viver por viver, mas o sentido deste exercício, o motivo poético do existir. A busca por uma verdade eclodida pela criatividade de todas as manifestações do ser, conhecer e sentir. Nenhum outro ser vivo faz poesia, e só porque fazemos poesia é que impregnamos as palavras, apropriamo-nos delas na transformação da matéria viva. E essa matéria que não é palavra passa a ser retratada e vislumbrada de maneira inédita. Uma luz é lançada sobre todas as coisas até o horizonte de um olhar.
A poética modifica a realidade e a realidade é uma descoberta constante – obra aberta, sem rascunho ou roteiro – vai acontecendo enquanto vivemos. Mesmo sendo impossível viver tudo, estar em todos os lugares, conhecer, tocar e registrar na memória todos os momentos em que os sentimentos passam a protagonizar a cena, dia, hora, ou átimo.
A palavra é uma ferramenta para aproveitar as etapas da experiência, sem os reducionismos do poético-artístico, ou superficiais classificações formais: gêneros e modalidades. É um instinto que se projeta e fala pelo corpo e pela consciência.
A poesia não pode estar presa à forma e ao conteúdo, se antes a realidade no que lhe é própria não se manifestou. Porta e janela abertas para o “eu” e para o mundo, onde a rima não é uma condição necessária, mas acontece por delicado capricho em muitas ocasiões.
Sem olvidarmos os conceitos sofísticos e retóricos sobre linguagem e realidade para a compreensão de um sistema de representação, não seria possível transmutar a verdade e encontrá-la dentro dela mesma. A poesia é a catalisadora da revelação da beleza, dentro e fora, desde as células até o universo, mesmo quando originada da ausência dos seus principais atributos, da qualidade do que é belo.


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