A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

domingo, 21 de dezembro de 2014

Fraqueza

É muito difícil lidar com o fracasso. O fracasso dos dias e sua sucessão. O fracasso das emoções: o ódio. É muito traumático metabolizar o ódio, o coração pulsa numa frequência desgovernada e a cabeça dói. O sono se esvai... vai sem volta.
O fracasso metalizado, puro aço que corta e amputa os pedaços de uma "ex-istência". Zumbi dentro da escuridão sem sonhos. Envenenamento cáustico. Caos fantástico!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

arnaldo coração antunes

MEU CORAÇÃO
(Arnaldo Antunes)

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente
E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar

sábado, 29 de novembro de 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cativeiro

A gaiola e os pássaros
Todas as árvores
Da paisagem
Mata e floresta
Antes o céu
Sonho que morre
Agora pouso fixo
Medo e atrofia
Natureza sem vida
Trancas na porta
E a casa escolhida
Nunca existiu
Podia se imaginar
Efeitos da droga
Daquela felicidade
Estúpida
Perdeu seu coração
Cortaram-lhe as asas
Do chão não passa
Não mais voará
Onde quer que more







sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ressaca

Uma taça de credulidade
Para embriagar um tolo
Quando a esperança em sua crença
Deveria ser tábua de salvação
Enfim a remissão e glória
A comemorada renovação
Todos os votos ingênuos
Do porvir
Aquele sopro que revigora
E com a brusca queda
Os tormentos da desilusão
E agora? E agora?
Aspirina não combate a dor
Curativo não cola
Tudo o que já quebrou
Esperar até a última hora
Um tempo que acabou


Cosmonauta

Espaço aberto
Em noite fechada
Aqui nunca é dia
Mergulho profundo
Em buracos negros
Um corpo celeste
De massa tão grande
E imenso campo
Gravitacional
Nem a luz deixa
Escapar
Cheio de tudo
E um rastro
Dos restos do nada
Aqui dentro
O estúpido vazio
Em meio aos cacos
Asteroides...
Trajetórias perdidas
Poeira e frio
Viagem espacial
O fim da linha
É muito grande
Sem lua
Nem estrelas
Sem Pedro
Ou Maria
Volto a ser só
Minha decadente
Companhia

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sem título e sem texto

Possivelmente cem títulos diferentes para nenhum texto. A fonte não secou, espero e quero acreditar, porque a fonte é a origem que pode renovar e confluir como manancial de vida. Mesmo que não haja novo início, a fonte garante a sobrevivência e um duelo mais justo, contra a estagnação.

Coisas da vida: conviver com as dores, superá-las, talvez, um dia, quem sabe esquecê-las e mais do que isso, vivê-las. Existem muitos tipos de dores, algumas de tão físicas parecem arremessar o corpo em outra dimensão. Outras, tão profundamente introjetadas, misturadas nessa essência que nominamos de alma, parecem não ter fim, lógica, ou sequência determinante.

Dói. Apenas, dói! As penas sentenciadas por nós mesmos.

O que parece pior, a esperança sem nenhuma promessa, ou, todas as promessas sem esperança?

(Colapso)

Depois... ninguém sabe.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Maldição

Todo o caos
Terá um fim
Dito isso
O que foi
É finito
E o hoje
Se encontrou
Ontem
Com aquilo
Que já não é
Nada mais
Os finais 
Não são todos
Tristes
Nem iguais
Muitas vezes
É possível
Tentar acabar
Novo desfecho
Sem conclusão
Os pesares
Podem aliviar
Lavar a alma
Das mágoas
Tudo que ficou
Para trás
E não existe
Mais
Da maneira
Que era ou foi
Se deixarem
Nódoas
Ter-se-á algum
Registro
Diante do muito
Que foi dito
E o pó das palavras
Ditas por extenso
Não terão nova
Edição
Fases se intercalam
Vivemos mais
Do mesmo
Em repetição
Até a linha
De chegada
Antes partida
Colada em pedaços
Palavras se calam
É a mais clássica
De todas
Ela é a primazia
Que detecta
A hora certa
Equilíbrio temporal
Aquilo que é sobra
Resta sem valor
Melhor pontuar
Último suspiro
Lembrando 
Dos primeiros
Ponto final






sábado, 6 de setembro de 2014

P O R T A S





Aportei no meio 
De um caminho
Ida sem volta
É metade do trajeto
Voltas envoltas
Desde ontem
É passado vivido
São inúmeras portas
E várias combinações
Antigas crenças
Intuitivas divagações
Podem fazer crer
Nas benesses do tempo
Que sempre há
E mesmo nas faltas
Ainda haverá
Pontos ultrapassados
Limites vencidos
Dilatados e rompidos
Consumimos besteiras
Placebos e paliativos
Comemos enlatados
E nos acreditamos
Ainda vivos
Muitas vezes não dá
Para voltar e nem seguir
Existem portas e portas
Umas não se fecham
Outras são impossíveis
De abrir
Portas que abrem
Outras portas
Modificam a paisagem
Das ruas tortas
E protegem o que está
Por trás
O tesouro de dentro
Ou simulam um teor
Que não contém
Fechadas podem ser 
Apenas lindas fachadas
Outras não deveriam 
Ser penetradas
Caixas fortes
Portas que não podem
Ser fechadas
Porque nunca mais
Se abrirão por fora







sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Fraude

Para burlar a dor
Enganando a vida
Com esquivas
Que não poupam
A própria cabeça
Guilhotinada
Servida em bandeja
De prata
Caída em indigno
Prato
Julgada por todos
Sem redenção
Olhar no espelho
Já não serve
Erguer os ombros
Não consegue
Porque as dores
Derivam e voltam
A morar no oco
De um antigo
Sonho nascituro
Pobre larva
Sem futuro
Nunca ouvirá
O doce som
Farfalhar de asas
Pois nunca irá
Voar...
E toda a lembrança
Será a de falhar
Morre hoje
Apenas constatando
Morreu







quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Total

Resultante da adição
Um número quantitativo
Pedaços daquele coração
Vetor do gráfico subjetivo
Quantidade de parcelas
Reunião já considerada
Muitas frestas nas janelas
Luz da tarde ensolarada
Equivalência da operação
Para obter saldo positivo
Ou guardar a interrogação
De um breve impulso emotivo
Choque da razão calculada
Não há espaço para o erro
Repartindo o antigo nada
A grande fartura do desterro
As partes que formam o todo
Conceituava um conjunto
Pobre músculo involuntário
Perdido e solto no mundo
Agora só um elo unitário
Matematicamente é destino
Triste conjunto vazio
Perplexidade sem tino
Paga a conta do desafio


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Crenças e encrencas

Papai Noel
Coelhinho da Páscoa
Luz no fim do túnel
Felicidade
Contos de fada
Amigo invisível
Heróis
Caminho certo
Sorte
Destino
Fim da linha
Deus?


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Aviso prévio

O que acontece quando a razão te abandona?
Em noite de baile anunciada a valsa da loucura.
A certeza da perda tenta minimizar a maior dor,
Não é um saldo de dias que o futuro abona.
Vergonha e nostalgia trancadas na sala escura,
No corredor dos pensamentos um único gerador
E todas as luzes apagadas para a fuga do amor.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Poeira dos tempos










Coisas que a vida traz
Acumulamos um pouco
Coisas que a vida leva
Esquecemos o sentido
O gosto que tinha antes
É difícil reviver
Todas as receitas
Perderam a fórmula
A proporção que acendia
As notas mais cítricas
Daquele sabor de coisa boa
Momentos queridos
Quando tudo era nítido 
Próximo e cotidiano
E era mais fácil lembrar
Sem perder os detalhes
Coisas que a vida mantinha
Perto de nós
Por serem em si mesmas
Grandes em significado
Por nutrirem a própria vida
Que há em nós
Atados em nossas células
Esperando e assistindo
As coisas que a vida traz
E as coisas que a vida leva

terça-feira, 29 de julho de 2014

(Des) Gosto

Degradação
Demasiada
Deturpava
Devaneios

Desencanto
Danado
Derramando
Dores

Dançarino
Desalmado
Decaído
Delirava

Desferiu
Desastroso
Dardo
Determinado

Desmaiou
Disperso
Desertou
Detalhes

Debilitado
Dissipou
Doenças
Dormentes

Dinamitava
Domínios
Distantes
Decrépitos

Debochava
Decadente
Desterrou
Desprovido

Declamou
Doidices
Dantescas
Desnaturadas

Desistência
Derivada
Daquele
Dano


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Olhos nublados

Escrevi muito para você
Sem saber acertar a dose
Como e quando deveria servir
Inexistiram as medidas
Tudo parecia pequeno
As palavras não couberam
Dentro do antigo molde
Vontade sem efeito ameno
Exaltar seria o meu lema
Para alcançar a intensidade
E construir uma linda ode
Máxima virtude do sentir
Acreditar na importância
No poder de ser feliz
Como todos confiavam
No percurso da infância 
Brincando de pega-pega
Com a pretendida felicidade
Desmorona a vida adulta
Mera ilusão de óptica
Tênue névoa que distorce
Os duros caprichos da realidade
Apertando os olhos para não ver
Vítima da catarata de média idade



domingo, 13 de julho de 2014

:'-((

plic
plic, plic
plic, plic, plic...
uma torneira quebrada
dor de uma tonelada
e tristeza líquida

terça-feira, 8 de julho de 2014

Torcendo

Tá osso
E o que há?
Nada a fazer
Ânsia letárgica
E alvoroço
Jogando os dados
Só torço
Vontade real?
Torcer o pescoço
Virar o nariz
Pular o fosso

domingo, 6 de julho de 2014

REJEITO

O mundo irá te mastigar
E triturar os pedaços
Logo depois vai cuspir
Arranhar todas as nuances
Preencher de ideias
Escoriar os impulsos
Recolher inúmeros cacos
E de súbito te fazer partir
Atrasar e perder as chances
Preparar aquela bordoada
Antes de convidar e confortar
Vontade de cortar os pulsos
O passo em falso é esperado
Para afugentar sem cerimônia
Com um estouro de boiada
Ilusionismos mundanos
Irão ocorrer diante dos olhos
O mundo tentará te iludir
E te esmagar sem parcimônia
Crédulos acreditarão
Como o toureiro
Dançarino à sua frente
Exibindo um manto
Vermelho reluzente
Sem temer o sangue
Do pobre touro
Achará que é arte
Chacina e balé
O mundo vai te amassar
E você pensará
Que é terapêutico
Quase uma massagem
O mundo vai te engolir
Depois vomitar
Te arrasar
Te viciar
E sem aviso prévio
De tudo
Te privar
O mundo irá te rejeitar
E você vai passar
A vida toda por ele
Tentando se ajeitar



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Nova Fase

Lua inteira
E cheia
De poema
Minguam
As tristezas
Em ver-te
Crescente
Tudo fazes
Em silêncio
Jóia da noite
O brilhante
Refletido
Nos olhos
Da gente
Muitas fases
Somam noites
Aguardam
O dia seguinte
E guardam
Da noite
Os luais
De suave
Requinte




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Malefícios do bem

A flecha acerta o alvo
Perfeição de alcance e seta
Desfere em seu trajeto
Um ultimato à perfuração
Objetivo atingido
Destroçado e desvalido
Por ficar diante da mira
Com o prêmio conquistado
Nenhuma festa ocorreu
Pois o objeto ferido
Orgânico e decaído
Perdeu toda a sua vida
E sem sentidos morreu


sábado, 14 de junho de 2014

14-06-2014

Projeções servem para nos aproximar dos sonhos
Planificar em tela as expectativas vindouras
Seleção das melhores emoções, aquelas que se pretendem duradouras
Pretensões que nascem nos momentos de felicidade
Tudo o que se quer!
A felicidade almejada, às vezes perseguida por impulso e vontade
Às vezes, esquecida para não ensejar um esforço desproporcional
Outras, deixada de lado por não confessar a si mesmo
O peso de perder, deixar passar
Esvaziar os sentidos, deixando-os escorrer e seguir o fluxo
Fluindo para além...
Até ficarem completamente fora de alcance
E na distância que não se sabe precisar
Recordar uma tênue lembrança
Como os muitos momentos de infância
Que trazem a emotividade genuína de tempo que já não há
Mas, que é só seu e ninguém pode avaliar como ficou marcado
Uma memória que alimenta a ilusão de uma "vida passada"
Tenra infância, onde todas as promessas poderiam, seriam e existiriam
No concreto mais abstrato que anima o ser
As propaladas: coragem, esperança, confiança
A gana em vencer e realizar o melhor possível
Puro emotismo de quem respira e vibra com as sinapses
De cada dia!
Um amanhã...
Sempre estar por vir, mas não há certeza nisto
Paradoxo máximo: realizar sonhos!
Sonhos são etéreos e podem virar fumaça de tão frágeis
Não há fim sem começo...
Sem marcos iniciais e datas de validade
Nada sobra e diante do seu próprio olhar atônito
Ainda resta "você"
A contemplar a ópera da existência...


quinta-feira, 12 de junho de 2014

sexta-feira, 6 de junho de 2014

~ A P E T I T E ~

Ah!
E haverá
Mais
Menos
Uma fome
Que não tem
Meio
Metade do fim
Única dica
O nome
Não prescrito
Nesta dieta
De restrição
Que se some
Chamado suspiro
Sem confeiteiro
"No sugar"
Ânsia do mundo
Inteiro

terça-feira, 27 de maio de 2014

Pedra

Atire a primeira
Arremesse a segunda
Jogue a terceira
Esvazie suas mãos
Com o olhar petrificado
Conte as que sobraram
E não diga a ninguém
Que os pesos arrastados
São os restos
Da sua própria construção
Um lindo sobrado
Com altas janelas
Sem os olhos abertos
Impossível enxergar
Todas as pedradas
Alvejaram-lhe a porta
Mas ela estava fechada
Sem alma a morar


domingo, 18 de maio de 2014

Chuva

Quando uma gota fica pesada
Não consegue se sustentar no céu
É expulsa da nuvem irada
Que cheia não mais controla
Fica surda e insensível
Não escuta quem implora
Pobre gota sentenciada 
Vai cair partindo em viagem
Queda livre não evitada
Pingo de água vertido
Agora vai molhar a terra
Infiltrar no solo 
Quedar esquecido
E se não sumir completamente
Esperar um dia de calor
A próxima evaporação




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Naturalmente

A tragédia gloriosa é viva
Explode com um berro
O ar que invade os pulmões
Insignificante princípio
Que desloca o equilíbrio
De um precipício sem fim
A vida finca suas bandeiras
Rompe rasgando a trilha
Que culmina inevitável
Em morte
Síntese de uma surpresa
Propalada conhecida



terça-feira, 29 de abril de 2014

CEM

SENTI MUITO
TODO VALOR
SEM TI
É ZERO
À ESQUERDA
OU DIREITA
NADA VALE
SENTIDO TEM
SÓ A DOR

domingo, 30 de março de 2014

Sangue

Vermelho que circula no sistema
Intensamente alimenta o corpo 
Líquido viscoso irrigando o poema 
Na pulsante viagem dos sentidos 
Transporta a matéria nutritiva 
Avança os limites dos tecidos 
Abraço vascular que acalenta 
Numa gota ou tubo de ensaio 
Duelo que a pressão aumenta 
Enche o cálice símbolo da vida 
Transborda venoso e arterial 
Enigma da dádiva ou maldição 
Percorre a existência humana 
Derramando quase e sempre 
A fragilidade de uma condição 
Porque quem ama sangra 








segunda-feira, 24 de março de 2014

Caminhada noturna












Estrelas no céu
E passos no chão
Inflaram meu coração
Com gás Hélio
Mas, ele não pode voar
Parece uma piada
Sem graça
Eu juro é sério
Estrelas no céu
Eu olho para ele
Ele me olha de volta
Um pequeno grão de pó
Mesmo assim ele me olha
Pode ser piedade
Ou ingênua impressão
Plácido e cheio de dó
Me olha de volta
Ancorada na terra
Só me resta contemplar
Fitar a amplidão
Imaginar o tamanho
Tão profundo
Abismar com o visual
Imagem e miragem
Lembrar que não estou
Sozinha no mundo
Sou um grão de pó
Olhando o céu
Contemplando estrelas
Falando de mim
Sem ouvir nada
Nenhum eco

domingo, 16 de março de 2014

Como seria

Se eu morresse hoje, como seria?
O Sol, de repente apagaria?
Poente sem tocar o chão
Milhares de assuntos inacabados
Dentro de incapsuladas sementes
Como eu deixaria de existir?
Subitamente sumiria sem clarão
Entre os meus objetos guardados
Segredos e verdades dormentes
Simplesmente o grande eclipse 
Infarto fulminante ou sono sem final
Rito de passagem num piscar de olhos
Varredura de todas as memórias
Sem penalidades ou absolvição
No instante da lacuna temporal
Ninguém mais veria, ou sentiria
Longe de todos queridos ou não
E tudo sem mim seguiria

sábado, 8 de março de 2014

Chuva de canivetes

Nuvens carregadas e suas armas
Calendário sem dia de sorte
Quando desaba a chuva em ação
De longe ouço o barulho do golpe
Incisão rasgando afiado corte
Talhos profundos sem disfarce
Muitos ferimentos abertos
Degradada figura em exposição
Sofrimento não causa a morte
Mas o prolongado sangramento
Traumatiza todos os sentidos
Em latente estado de choque
Fio da navalha impactante
Incansável não para de cortar



sábado, 1 de março de 2014

Banquete do vazio

Uma metade que falta
Um inteiro que some
Sem soma aritmética
Puro sumiço indesejado
Ausência do ânimo
Que move o universo
Quase como morrer
De fome
Diante do prato predileto
Diferente de confessar
Ficar completamente só
Quando o maior desejo
É o inverso

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mergulho



Cada gota de tristeza


Inunda um cômodo

Numa casa submersa

Técnicas de mergulho

Profundezas superficiais

Milhares de submarinos

Navegam até as bordas

Da grande piscina clorada

E repleta de âncoras

Mais e mais Fernando Pessoa

Tabacaria
Álvaro de Campos




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Quebrou!!!

Estilha projetada com violência
Machuca a superfície colidida
Tenta valorizar a experiência
Mas não evita a dor desferida
Dano de relevante consequência
Mudou todo o mundo em sua vida
Sem final feliz deixa a cicatriz

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Depois da tempestade

Lama e escombros...

Quero sair
Fugir daqui
Rumo qualquer
Lugar nenhum
Sumir
Quero deixar
De existir
De ser
E o que passou
Esquecer
Quero morrer
Ou de repente
Nascer
Em outra vida
Outra hora
Sem nada
Nem memória
Quero partir
Sem pedaços
Integralmente
E desistir
Quero ir
Embora
Sozinha
Sem razão
E cheia
De motivos
Quero descer
Largar de mão
Sem abraços
Nem avisos
Despedida
É pior
Quero voltar
De onde vim
Ave migratória
Abatida
Talvez regredir
Esconder
Um grande nó
Encolher
Inexistir
Tudo ruiu
Murchei também
Estrela cadente
Sem pedido
Estilhaço de vidro
Partido
Punhal cego
Que feriu
Um ponto
Vital
Fez derramar
Outras lágrimas
Todas
Sem sal
Já sublimei
Mesmo assim
Cheguei ao fundo
Quero o meu
Fim