A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

domingo, 19 de janeiro de 2014

Manual

Tudo que é feito à mão
Laborado com mais carinho
Dedica-se ao entendimento
Da melhor execução
Gestos para apurar o tato
Tocando de modo sensível

Por zelo e conservação
De um tesouro intangível
Um livro orgânico
De ritos e procedimentos
Notas de rodapé
No espaço que é meu céu

Tópicos que ainda não li
Indicam o aprimoramento
Todos os caminhos e rotas
Para preservar sentimentos
Prometo ser o livro preferido
A sublime literatura
De todas as páginas
Que espero manusear


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

É mais fácil pensar que não houve morte

Poema

(Cazuza)


Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim,
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Anzol












Fascínio da isca sobre o peixe
Será o balanço das águas?
Ou a envolvente correnteza?
O fluxo aquático que leva e puxa
Numa dança sedutora
Oferece um presente
Uma surpresa atraente
Uma promessa de recompensa
O peixe observa instigado
Nada em seu habitat
Passa várias vezes
De um lado para o outro
E com sua cabeça de peixe
Resolve beijar a sorte
Hipnotizado por uma beleza
Que não consegue explicar
O mar tornou-se um aquário
Não consegue mais disfarçar
Só existe a isca!
Seu principal objetivo
Prepara o ato mais importante
Uma vida de preparação
Mira e acredita
Ser dadivoso merecedor
Pobre peixe palhaço
Peixe otário
Todos já sabiam do final
Peixe morre pela boca

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Úlcera

Perda de substância dos tecidos 

Infecção ampla e resistente 

Chaga formada por abrasiva dor

E corrosão acelerada

Causada por um processo

De atrito prolongado

Ou choque de emoção

Ferida pustulenta

Grande dano de destruição

Se alastra corroendo

Minha paz e razão








Tiro ao alvo

Solidão preenchida de quiasmas
Um vazio amplificado
Que não se pode ouvir
Ecos do repetido mantra
Engolindo a meditação
Dispostos todos os problemas
Colocados frente a frente
Programa mental autômato
Em rota de colisão
Ergue-se o inesperado
À sua frente
Metafórica ampulheta
O tempo lança um desafio
Enfrente


domingo, 12 de janeiro de 2014

Chamem a ambulância

Perdendo a consciência em... 3, 2, 1...

Já era!

Canteiro de obras

Escavando túneis
Jogando o lixo fora
Novas janelas abertas
Na tela imaginária
Sem a matéria concreta
Manipulando o sopro
Etéreo e frágil
Feito de sonho
Sem casulo
Nem borboletas
Também não há jardim
Numa estrada longa
Ladeada de emoções
Asfalto novo
Cheiro de petróleo
Betume reluzente
Brilha como a esperança
E extravasa no olhar
De uma lembrança
Que viaja no tempo
Nem antes ou agora
Uma visão projetada
Rascunhos que levitam
Nas nuvens
De pensamentos cheios
Irrealidade em prestações
Alento e alimento
Para um coração
Sem sinais vitais





sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Leminski em mim, por ti e para todos


Sem título (Leminski)

Eu tão isósceles
Você ângulo
Hipóteses
Sobre o meu tesão

Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Sonhando (...) download em progresso


Música para ouvir

Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor

Milton Nascimento


Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Não sei

Não pode ser classificado como um vício
A sala de espera está no final do corredor
Repetições inexistem antes do próprio início
Aquele primeiro encontro não se realizou
Todas as pausas completaram o álbum
E a recordação de um futuro presente
A velha crença do tesouro enterrado
E no local reservado não há "X" nenhum
Necessidade viva rompendo a semente
Sofreu penitência por destrato do regador
Sem o elemento essencial à vida no planeta
Palavra  de quatro letras iniciada por um "A" 
Resposta mais simples assinalou com a caneta
E pelos fortes indícios seria a água a lhe faltar
Chorava a falta que lhe doía ausente
Quando árido constatou as lágrimas de água
Estava mesmo lhe faltando o AMOR
Não podia preencher lacunas do que já sonhou