A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

domingo, 30 de março de 2014

Sangue

Vermelho que circula no sistema
Intensamente alimenta o corpo 
Líquido viscoso irrigando o poema 
Na pulsante viagem dos sentidos 
Transporta a matéria nutritiva 
Avança os limites dos tecidos 
Abraço vascular que acalenta 
Numa gota ou tubo de ensaio 
Duelo que a pressão aumenta 
Enche o cálice símbolo da vida 
Transborda venoso e arterial 
Enigma da dádiva ou maldição 
Percorre a existência humana 
Derramando quase e sempre 
A fragilidade de uma condição 
Porque quem ama sangra 








segunda-feira, 24 de março de 2014

Caminhada noturna












Estrelas no céu
E passos no chão
Inflaram meu coração
Com gás Hélio
Mas, ele não pode voar
Parece uma piada
Sem graça
Eu juro é sério
Estrelas no céu
Eu olho para ele
Ele me olha de volta
Um pequeno grão de pó
Mesmo assim ele me olha
Pode ser piedade
Ou ingênua impressão
Plácido e cheio de dó
Me olha de volta
Ancorada na terra
Só me resta contemplar
Fitar a amplidão
Imaginar o tamanho
Tão profundo
Abismar com o visual
Imagem e miragem
Lembrar que não estou
Sozinha no mundo
Sou um grão de pó
Olhando o céu
Contemplando estrelas
Falando de mim
Sem ouvir nada
Nenhum eco

domingo, 16 de março de 2014

Como seria

Se eu morresse hoje, como seria?
O Sol, de repente apagaria?
Poente sem tocar o chão
Milhares de assuntos inacabados
Dentro de incapsuladas sementes
Como eu deixaria de existir?
Subitamente sumiria sem clarão
Entre os meus objetos guardados
Segredos e verdades dormentes
Simplesmente o grande eclipse 
Infarto fulminante ou sono sem final
Rito de passagem num piscar de olhos
Varredura de todas as memórias
Sem penalidades ou absolvição
No instante da lacuna temporal
Ninguém mais veria, ou sentiria
Longe de todos queridos ou não
E tudo sem mim seguiria

sábado, 8 de março de 2014

Chuva de canivetes

Nuvens carregadas e suas armas
Calendário sem dia de sorte
Quando desaba a chuva em ação
De longe ouço o barulho do golpe
Incisão rasgando afiado corte
Talhos profundos sem disfarce
Muitos ferimentos abertos
Degradada figura em exposição
Sofrimento não causa a morte
Mas o prolongado sangramento
Traumatiza todos os sentidos
Em latente estado de choque
Fio da navalha impactante
Incansável não para de cortar



sábado, 1 de março de 2014

Banquete do vazio

Uma metade que falta
Um inteiro que some
Sem soma aritmética
Puro sumiço indesejado
Ausência do ânimo
Que move o universo
Quase como morrer
De fome
Diante do prato predileto
Diferente de confessar
Ficar completamente só
Quando o maior desejo
É o inverso