A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016


Lis flor de
2000
E 16 anos
Novos
Sim
Lótus
Oliveiras
Lentilhas
Pode chegar
De novo
Cheiro bom



domingo, 27 de dezembro de 2015

esgotamento (in) sanitário

as perguntas sem respostas
outras palavras imprestáveis
escavam profundas fossas
contaminação por tristeza
navegando em águas turvas
horizonte não enxergo mais
trago os olhos embaçados 
e compulsão por lágrimas
atalhos em pontes irreais
névoas do destino combalido
últimas crenças perdidas
os pesos sobre os ombros
reduzem as chances da subida
determinista é o caminho
pelo ralo às escondidas







sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Amputação

Vivo e moro em mim
Todos os dias
Morro e vivo assim
Sem alívio
E dentro de uma hora
Num segundo
Sem demora
Terei o meu fim
Última aurora
Perdi o rumo e os pés
Amputo-me agora
Sigo vazia de mim
Cada pedaço arranca
Os fios invisíveis
Da esperança



domingo, 13 de dezembro de 2015

O que vem depois














Maiores mudanças

Aquelas retornáveis

Voltando do fundo

A nós mesmos

Regressando

À linha de partida

Desfibrilar...

3, 2, 1...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sem reserva

Coração acelerado
Super ritmado
Compassos
Quase alados
Aquecimento
Adormecimento
Entorpecer leve
Suavidade macia
Liberação de calor
Uma labareda engolida
Viaja na garganta
Escorregadia
Caindo...
Faringe, Laringe, Traquéia
Peito expandido
Pulmões?
Que tal um banho de espuma?
Esfregões e esponjas
Combustão no estômago
Acende luminosa fonte
Que fica queimando
Irradiando
Como a seiva na árvore
Capilarizada
Percorrendo cada veia
Irrigação sanguínea
E a fogueira se mantém latente
Momentos latejantes
Um fluxo ascendente
Todo corpo aquecido
Saliva que foge da boca
Correndo
Tenta apagar o incêndio
Língua árida
Deglutição desértica
Faz sentir uma vegetação
De papilas cactos
Pequenos espinhos
Sentidos
De olhos cerrados
E flores de mandacaru 
Na glote
Interiorizada conexão
O consigo amplificado






quarta-feira, 1 de julho de 2015

nuvens de chumbo

Além da falta extrema
Que em aguda tortura
Açoitava o vão das palavras
Entre escritos e ditados
O precipício da distância
Insones nunca deitados

Noites eternas sem bom dia
Alimentando-se de restos
Do vago abstrato
Longe reino utopia
Sempre separados
De todas as resoluções
Nenhuma sabedoria
Contava as horas vazias
Tédio e exclusão
Enquanto a esperança morria


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Desabitado

Vazio
É o oco
Quando arrancam
Do peito
A tua vontade
De viver
Um buraco
Profundo
Sumidouro
De tudo
Que havia
Antes
Quando arrancam
De ti
O que nunca
Chegou a ser
Preenchido
Por nada
Eu agradeço

quinta-feira, 14 de maio de 2015

"Raios, noites, tempestades / Rolai das imensidades / Varrei os mares tufão"

Quando uma surpresa acaba antes de se revelar
Sonhos são despedaçados por incúria e lástima
O grito contido em pesadelo pela falta de ar
Conturbação violenta em velocidade máxima
Todos os dias de uma vida compartida
E mesmo sem a mácula de qualquer pecado
O óbvio e julgamento pior que bala perdida
Apedrejar
Apedrejar
Apedrejar
Antes que tombe o corpo em agonia
A constatação que nada importou
O seu mais rico tesouro virou porcaria

Furor


domingo, 3 de maio de 2015

O mundo some

Desaparecem as pessoas
Apagam-se os cenários
Todo foco é um olhar
Raio de calor invisível
Tão sútil e aterrador
Que medo que dá
Receio de tocar o chão
E deixar uma pegada
Fora da harmonia do lugar
Todo paraíso na Terra
Não deveria ser maculado
Uma oferenda mística
Sem sentir o tempo passar
Flores surgindo no jardim
Surtaram as abelhas no pomar
Muito mel depois da primavera 
Força de atração magnética
Alterando as disposições
Intensidade mordente
Que abocanha a vontade 
Esmaga entre os dentes
Nutrindo o desejo de sonhar
Em uma guerra santa
Não há vencidos
Torneio de MMA
O prêmio a ser concedido
Relicário de pele e sentidos
Para guardar sob as unhas
E todas as marcas tatuadas
Por um pedido concedido
Um sim e o fim
O mundo some

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Sabe o que é?

Uma explosão surgida
Entre mundos diversos
Em contatos de vida
Vejo o pólen dos versos
As palavras antes fluentes
Ficam atracadas no porto
Da garganta dormente
À blindagem do corpo
Enfrentar todo medo
É tarefa da coragem
Mesmo muito cedo
Soa alerta de mensagem
Quando as luzes acendem
E tudo pisca em vermelho
Mas os instintos atendem
São poemas no espelho
Traduzidos no papel
Singelo caderno carinhoso
Canetas e letras de mel
Produz um efeito ansioso
A lucidez embriagou-se
De uma fonte transparente
Águas verdes e mar doce
Vislumbradas logo à frente
Um erro de cartografia
Sem latitude e longitude
Nó do destino ou ironia
Mergulhar em plenitude


quinta-feira, 16 de abril de 2015

O caminho da formiga


Trilhas de pedra, detritos de poeira... o chão.
Boa era a vista, beira rio e brisa noturnamente adocicada. Só um passeio na calçada.
Formiga a vida sem planejamento - das horas percebia o passar, das pessoas o murmúrio e mesmo assim seguia. Não era uma disparada, não era marcha, ou corrida... nem nada. Andava só, sem ordem e progresso, pois a trilha era circular. E dando voltas, por nada, havia  acabado de achar uma "escalada". Não pensou e subiu. Formigas não pensam, instintivamente andam com seus passinhos miúdos, diminutos, quase uma coreografia sem ensaio, executada sobre as patas minúsculas. Árdua missão sem salto alto, viagem de ácido fórmico. Subiu! Mas, por ser tão pequenina foi removida sem dó. Avistaram-na. Removeram-na. Marcada formiga para mudar de rota. Não sabia que aquele caminho era proibido. Propriedade privada.



segunda-feira, 13 de abril de 2015

SACODE!!!

Qual a maior confusão já enfrentada?
Mistura tudo e faz um milk shake
Um brinde ao mix
Saúde !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Era...tudo...saudade

O que é a saudade?
De onde ela nasce?
Por que, de repente, floresce no peito?
Germina no coração, como se toda veia ou artéria fosse raiz. Onde está a coifa?
Quem jogou a semente?
E por que a gente sente tanta saudade?
Já passou...
Mas, deixou em nós um registro, uma prova: marca-cicatriz!
O que virou nossa história? Batalha ou marasmo de glória?!
Vontade de sentir.
De novo, o novo que já foi velho, imenso, momento de uma vida. Polinizou as lágrimas derramadas. Tomadas, bebidas, cápsulas de uma fórmula da juventude. Remontam a infância, conforto, querida recordação.
Saudade é uma lembrança que chora ou sorri para voltar ao momento em que era muito importante!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Fugitivos

Somos todos fugitivos
Marchamos em luta
Cotidiana tragédia
Ópera das aspirações
Fugir não é saída
Corremos sem rota
Somos todos fugitivos
Para permanecermos
Em nós
Não enlouquecermos
A sós
Sobreviventes da trapaça
Retardatários da partida
Em algum lugar
Reta de chegada
Início pelo fim
É a vida
Fuga em massa

quinta-feira, 5 de março de 2015

dia 1

depois da morte
a ressurreição

mensagem póstuma
é a chama da saudade
todos os ritos habituais
eis o melhor epitáfio:
(resumo das lutas
não importa
quem foi o vencedor
batalhas são batalhas
ao menos conheceu
o que é o amor)
descanse em paz



domingo, 1 de março de 2015

ADEUS

Inspiro...
Expiro
Contemplo
O que não posso
Mudar
Expiro
Tentando deixar
Suprimir
Embrulhar
E guardar
Onde nunca mais
Ninguém saberá
Expiro
Até acabar
Por enquanto
É só
Expiro

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Anestesia


Depois de tanto sentir, exposição máxima de sentidos, quando tudo aflora em potência e os sensores que distribuem e comunicam a essência do "seu sentir" - corpo, mente, eu-lírico e todas as variáveis existenciais concentradas em você (seu ser), a energia que alimenta e move os melhores condicionamentos, são canalizadas pela dor. Eis o processo que, para moldar, machuca além dos limites do corpo.

Sentir é uma dádiva, ou armadilha da vida. Às vezes, as duas coisas ao mesmo tempo.

Quando todos os sentidos próprios são exasperados pela dor, sua percepção, efeitos e influência: a dolorosa e impactante sensação que turva cada amanhecer.

A condição de ter a sensibilidade bloqueada ou temporariamente removida pode salvar vidas. Remover a angústia é como estancar uma hemorragia. A "ausência de consciência reversível", seja uma ausência total ou a ausência de uma parte do corpo como as causadas pela anestesia, ou bloqueio neural.




SOCORRO
Arnaldo Antunes

Socorro
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro
Alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada
Socorro
Não estou sentindo nada (nada, nada)
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir
Socorro
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CINZEIRO DE PAPEL

Pós
Quarta-feira
De cinzas

Poeira
Quase um vestígio
O nada
Nada tenho
Nada sou
Fica suspenso
Tempo e espaço
O carnaval
Acabou
E a desculpa
Para não seguir
Com a vida
Coisas tantas
Por fazer
O carnaval
Acabou
Cinzas expostas
Qualquer brisa
Varre longe

O nada existencial
As sombras
Das horas 
Que o tempo levou
Varreu
O carnaval
Acabou

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Muito sal e luz...

MAR E SOL
(Interpretação impecável: Gal Costa)
Um Sol
Eu sou
Para o seu mar, ó meu amor;
Você
O mar é
Para o meu Sol, para eu me pôr;
Me pôr
Em você,
Me espelhar, me espalhar;
Meu Sol
De arrebol
Deitar no leito de seu mar -
E entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Em você morrer, morrer.
Um só,
Um nó
De fogo e água, terra e céu,
A sós,
Somos nós,
De corpo e alma, você e eu;
E eu
A descer,
A desnascer, desvanecer;
A ser
Em você
Um Sol a se dissolver -
Ao entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Em você morrer, morrer.
Depois,
Nós dois,
Olhos nos olhos, vis-à-vis,
Nos seus
Olhos meus,
Me vejo no que vejo ali;
Ali,
Eu-você,
Olho no olho a se espelhar,
Amor,
Sem temor,
Olho o que eu olho me olhar -
Ao entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Com você morrer, morrer.
Paixão de fogo de paixão
De fogo de paixão
De fogo de paixão,
Em que me afogo de paixão
Me afogo de paixão
Me afogo de paixão

domingo, 15 de fevereiro de 2015

SEGREDO

Degredo
Uma topada
Quebrei o dedo
Trombada
Primeira carona
Colisão na estrada
Traumatismo craniano
Perda total
Esfacelamento
De coração

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Pedido de socorro

Nenhuma mensagem cifrada
Ainda está respirando
Palavras inteiras fracionadas
Quem seria capaz de notar?
Tudo ao redor piorando
Cogitar a melhor solução
Só há uma?
Guerra aos moinhos de vento
Leve brisa
E uma mente pirando.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Réveillon fora de época

Começar com a marcha ré pode ser um bom início!

Reorganizar os ímpetos motivacionais
Reavaliar as chances sem pular do precipício
Redescobrir questionamentos existenciais
Renunciar as dores mortas do desperdício
Reelaborar planos de tempos imemoriais
Reeditar clássicos antigos velhos vícios
Replantar uma árvore genealógica
Revolver o solo sem mutilar as raízes
Reduzir os mantras e a apatia teológica
Reeducar o corpo resfriando as crises
Reciclar o lixo adubo orgânico da colheita
Recobrar a lucidez e fazer suas escolhas
Redefinir a morte lagarta em vida borboleta
Recompensar pés cansados cheios de bolhas
Reviver a força interior de alma lavada
Reproduzir reescrever reinventar recomeçar
Romper o silêncio da própria voz calada