A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

?

Se tudo foi como deveria ser
Por que não foi como deveria
Ter sido
Por que tanta intensidade
Chegar até aqui e nunca
Começar
Amor

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Danger

Cuidado com as armadilhas
Caçadores de aventuras
Espreitam pelo caminho
A vida é farta de montanhas
Russas e extraterrestres
Não existe um perfil
Nada que possa prever
O tamanho da calamidade
Quando alguém puser
Um alvo em suas costas
Não se sinta especial
Procure perceber a sede
Dos vitoriosos 
Vasculhando oportunidades
De concretizarem planos
Independe do que é feito
Dos escombros 
Os corpos descartados 
São a prova fria
O tamanho da trilha
Etiquetas de qualidade
Indicam sua condição
Pós-vitimada e inútil
Absolutamente substituível

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Ato cirúrgico derradeiro

Arranquei o meu coração
Tudo bem porque quis
Foi uma livre doação
Sem cálculo de retorno
E nenhuma outra peça
De eventual reposição

Agora tenho um buraco
Enorme espaço vazio
Não há como consertar
Condenada ao danoso mal
Não sabia que seria assim
Bisturi cirúrgico aço

Uma nobre demonstração
É reduzida a quase nada
Trombose no fluxo vital
De quem saindo de si
Vai parar no outro
Metafórica conjugação

A tentativa de completar
Algum laço sentimental
Criei um Frankstein
Neste corpo sem coração
A dor abundante sobra
Um preço duro a pagar

Apagar é o maior desejo
Material que mais tem
Poderia ser parte da solução
Cada impulso é amassado
Letra e palavra é rasura
Esboço de lágrima ou beijo

Arquivo escondido e apagado
Tento arrancar as lembranças
Fase da lobotomia final
Com hora marcada
E prazo de validade vencido 
Viajar no futuro revogado

Hipocampo desgraçado
Que precisa de intervenção
Da força do amor próprio
Impulsionar um arado
Para que se possa plantar
Sobre solo fértil arrasado

Novas memórias gentis
Mera substituição de fatos
Sem travessias de pontes
Desativar os estacionamentos
Excluir todo tronco
Flor, pedra ou raiz

Símbolo do encontro  marcado
Cada fragmento que remonte
O que não faz sentido guardar
Aceitar o status permanente 
De dano irreversível proposital
Fim da dor em cérebro avariado

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Antigamente é um tempo que não existe mais

Das coisas que eu não deveria ter feito
Arrependimento
Dos erros que eu cometi
Culpa
Da imprevisibilidade do resultado
Inconsequência
Da perda de tempo
Ingenuidade
Meus melhores momentos e alegrias
São fantasmas torturantes
Que rondam os meus pesadelos
Quando estou acordada
E vejo diante de mim
O meu maior engano
Dos sonhos que eu cultivei
Desilusão
Árida e contundente
Antigamente eu achava que tudo
Deveria ser como é
Ter uma razão maior
E um sentido em cada passo
Até chegar nesta situação
Quando uma pausa da cegueira
Descortina a realidade dos fatos
Nada é especial
Seguimos um curso do acaso
Aleatoriamente

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Alheios















A ressaca da promessa

Uma overdose de lembrança

Efeito colateral

Anorexia de todas as esperanças

Esperas sem mais

Drama?

Não!

Subestima a dor

Quem nunca sentiu 

O vazio de uma perda

A ausência em progressão

O desencanto desbotado

De um papel decorado

Por lágrimas 

Secas

E texto integralmente borrado

O eco recorrente das palavras 

Simples toque entre existências

E as mudanças provocadas em mundos

Alheios

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

* Seu Pensamento *


(Adriana Calcanhotto) 

A uma hora dessas
por onde estará seu pensamento
Terá os pés na pedra
ou vento no cabelo?

A uma hora dessas
por onde andará seu pensamento
Dará voltas na Terra
ou no estacionamento?

Onde longe Londres Lisboa
ou na minha cama?

A uma hora dessas
por onde vagará seu pensamento
Terá os pés na areia
em pleno apartamento?

A uma hora dessas
por onde passará seu pensamento
Por dentro da minha saia
ou pelo firmamento?

Onde longe Leme Luanda
ou na minha cama?

terça-feira, 7 de junho de 2016

míngua

Quando deveria estar
E simplesmente falta
Eis a incompletude
Muitas partes perdidas
Invasão de um vazio
Desaparecimento súbito
Ou quebra de continuísmo
Tropeço e baque lento
Ouço a queda do corpo
Estrondoso adormecimento
Caindo na própria alma
Sentiu a dor da ausência
Inflando com obstrução
Uma injeção de ar
Na circulação sanguínea
A falta incessante
De dolorosa lembrança
Traumas de amputação 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Confluência

Indo para longe
Por enquanto
Alterando 
A circundante
Arquitetura
Comemoração
Do desastre final
Aquele dique
Rompeu
E toda água
Represada
Seguiu em frente





quarta-feira, 25 de maio de 2016

Não espere tudo, um mar de nada pode te afogar


You’re welcome!

Tudo&tudo
De nada
Adiantou
Um atraso
Sem limite
Digerindo
O fato
Tudo&tudo
Por nada
Inócuo
Nem placebo
Só um nada
Imenso
Remanescente
Arrependimento
Tristeza
Insuportável
Difícil de abolir
Tudo&tudo
Eu lamento
You're welcome!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Imunidade

Lapso de memória
Desejo um dano
Permanente
Esquecer 
Limpar tudo
Apagar 
Para sempre
Pensamento
Livre e sem dono
Tela branca
Alívio no vazio
Eco de lembranças
Romper os abscessos
Arrancando a dor
De cada raiz
Pesadelo sem fim
A melhor vacina
Não sonhar




quinta-feira, 5 de maio de 2016

P.S.

Subestimar o instinto
É sabotagem
Suprimir a ética
É tolice
Nutrir o aniquilamento
Para que floresçam
As dádivas cordiais
Da indulgência
É também abdicar
Do amor próprio
Ter a fé semeada
Em outra mente
Ou coração
É pedir para morrer
De inanição
Transferir dons vitais
É abrir mão do real
E pisar em terreno
Movediço
A entrega pode tombar
Em cova profunda
E sentença amaldiçoada
Por inúmeros julgamentos
Crônica anunciada
O esquecimento
Rasura e expurgo total
É o mínimo aceitável
Para a solenidade
Final
Respeitosos acenos
De algum talibã






segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cuidado com as palavras

Cola
Sem restauração
Pisei
Frágil material
Colapsei
Nota de rodapé
Que final
Tão baixo
Ínfimo
E fugaz
Não valeu
Nada
Sem chão
Tudo parece
De pernas
Para o ar
Asfixia
Inútil respirar
Cola
Pira
Morre
Um molde
Uniforme 
Desculpas sociais
Conveniências
Vinte e quatro
Horas de toxina
Que produziram
Paralisia
Petrificou
Mas não colou
Supremacia
Da facilidade
A esperança
É uma víbora
Cruel
Parece inofensiva
Verde cobra
De jardim
É a pior de todas
Aquela que se deixa
Chegar perto
Basta uma vez
Tarde demais


quarta-feira, 30 de março de 2016

Missa de corpo ausente

Você matou-me
E destruiu
Os meus sonhos
Futuros
Será que ainda 
Existirá futuro
Qualquer regresso
Ao passado
Imenso lapso
De memória
Encerra o processo
Você matou-me
Porque eu permiti
Meu credo
E devoção
A estranha certeza
Que a explicação
De tudo
Seria você
E por tudo
Fechei os olhos
Enxerguei apenas
Com a palma da mão
Através da leitura
Que fazia
Lia seu nome
E você
Por ironia
Estalou os dedos
Matou-me
Conspurcou o sagrado
Da minha oferenda
Uma vida inteira
Que poderia ser 
Qualquer uma
Mas era a minha
Sem referências
A subjetividade
Para o descarte
Pronta ou acabada
Você matou-me
Neste pós-mortem
Entre sensações
Da antiga vida
Amarguei lembranças
Nenhuma mentira
Muitas verdades inócuas
A vontade soberana
Fez apólices de seguro
Ode ao senso prático
Sem dar-se ao luxo
Negou-me tudo
Por asfixia matou-me 
Como solução
Dos problemas
Todos maiores
Em importância
Reduzida ao pó
Você matou-me
Nem tem vaga ideia 
Do absurdo que fez
E se um dia tiver
Por favor
Não faça de novo
Com mais ninguém
Finda a morte
Ficou para trás
O que não existe 









segunda-feira, 21 de março de 2016

diante do espelho

Quando eu pude ver
Pensei ter achado
Algo além de mim
O reflexo da esperança
Recompensa ideal
O verdadeiro
Significado de tudo
Que antes não havia
O sonho acordado
Simples assim
Desejo de criança
Meu mundo real
Bem-te-vi
Uma galáxia inteira
Inacreditável
Sem garantia nenhuma
Estranho ritual
Arranquei o coração
E dei-te
Estupidez ilimitada
Confiar no brilho
Dos olhos
Diante do espelho
Trancafiar em segredo
Uma ilusão futurista
Reclamar a posse
De uma terra distante
E ser tratada
Como mera turista
Faça uma boa viagem
O peso de nunca mais
Voltar a ser otimista
Acreditei unicamente
Com todas as forças
Em tuas verdades
E nas promessas
Colóquio flácido
Gargalhadas cortantes
Atravessam-me a alma
Achei que poderia
Superar este momento
Cada gole do ácido
Lágrima e soluço
Mata o que não sobrou
Não irei me perdoar
Por ter sido tão tola
Os tolos são patéticos




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Elo

Perfeito
Partido
Um só
Olivinas
Opacas
Vidro
Espesso
E frio
Detector
De verdades
Obscurecido
Pelo ego
Calcanhar
Aquiles
Inerte
O mito
Escondido
Na sombra
Projetada

Déjà Vu 

Infantil
Quando
Disseram
Vai ficar
Tudo bem
Ok
Não creia
Em palavras
Cujo poder
Arrebata
Sua alma
Nunca mais

domingo, 7 de fevereiro de 2016

MAKTUB

A hora mais escura não é quando apagam todas as luzes
É ouvir a sentença de acionamento do botão que liga
E também desliga o dharma sopesando maiores cruzes
Demolição quântica sem deixar em pé nenhuma viga
O banimento sombrio amaldiçoado pelo esquecimento








terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A despedida

Foi-se
Simplesmente
Foice
Um golpe
Mortal
Arrancou do peito
O conteúdo
Órgão vital
Virtude e defeito
Tudo
Sem perdão
Nem funeral
Impossível
Continuar igual
Perder um pedaço
De si
Amputação sensorial
Rito de tristeza
Contundente
Atemporal
Vai doer e rasgar
Para sempre
Desfecho indesejado
O roteirista
Julgou que sua morte
Seria o melhor
Final
Da garganta ao ventre
Ferida fatal
A descartada vida
Por anos ensaiada
Perdeu o valor
Ordem de despejo
Estréia cancelada
Sem direitos
Nem o último desejo
Aguardando a deixa
Por um momento
Alma mutilada
Espelho apedrejado
Fragilidade dá azar
Chega de sofrimento
Lembrança assassinada
Hora de parar de chorar
E dentro do sonho
Não havia nada
Nada mais eu vejo




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Eu achei que sabia

Eu achei que sabia alguma coisa sobre a vida, sobre a minha vida. Depois de tantos dramas e tramas densas, doloridas, pensava ter encontrado a justificativa. Cheguei até aqui, o motivo era louvável. A causa. A razão. Quando você acha que sabe e acredita, persiste, entrega, exercita o melhor das suas habilidades, faculdades, intenções. Não investe apenas o tempo (sonhos, desejos, projetos). São palavras, pensamentos, vibrações, sentimentos, partículas de energia... Quando você se decide doar. Uma doação sem precedente, aquela que não é objeto de uma ação, ou produto de atividade. Não é algo que você faz, sabe, ou sente. É mais. É a percepção de que não é suficiente, melhor ser desmedida em quantidade e deixar sobrar o máximo possível. E por isso, doar-se. "Seja minha" vida, história, ideia, memória ... "seja minha" e tudo o que era seu, dentro do seu eu é assim doado. Transferência concluída. Começada. Eu achei que sabia alguma coisa e por pretensamente saber, pensei que eu merecia. Acreditar. Não doeria. A exposição. A mais verdadeira intenção. Sonhos infantis, heróis, contos de fadas. O roteiro da realidade é tão diferente. Mesmo com tantos problemas, durante anos... "era uma vez". A esperança robusta é capaz de defender os planos. Renovar. O preço. Os danos. Subvertida a ordem: mil passos antes do primeiro. Cair em si, depois de voar tão alto. Pior mesmo é perceber que o primeiro nem chegou a ser derradeiro. De promessa tão sublime, não chegou a existir. Cinema sem pipoca, sem filme, sem final feliz. Eu achei que sabia. Eu acreditei. Jogo o lenço. Desisto. Ele é branco, mas não me trará a paz. É luto, mesmo. Imersa em toda a simbologia, das frases que se repetem, memórias antigas-recentes. Tanto significado, agora sem sentido. É muito triste entender que a vida não é justa consigo. Neste caso, comigo. Dói. Não me conformo.