A ansiedade que antecede ao momento de criar

* A diminuição súbita (geral) da energia de um sistema e todas as funções que dele dependem;
* O propalado "efeito dominó" e sua condição mais extrema: o colapso;
* A debilidade repentina das ações, adinamia de ritmo, queda do poder e forças, um momento ômega.

Scribere
Faço dos sinais gráficos, que conheço, os meus representantes. Desembaraçando os caracteres, leio-os, de viva voz. Minha expressão é redigida em linhas incompletas de palavras. A composição de letras dirigidas para registrar meu sonho literário. Escrevo, porque amo.


LuhanaSP

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A despedida

Foi-se
Simplesmente
Foice
Um golpe
Mortal
Arrancou do peito
O conteúdo
Órgão vital
Virtude e defeito
Tudo
Sem perdão
Nem funeral
Impossível
Continuar igual
Perder um pedaço
De si
Amputação sensorial
Rito de tristeza
Contundente
Atemporal
Vai doer e rasgar
Para sempre
Desfecho indesejado
O roteirista
Julgou que sua morte
Seria o melhor
Final
Da garganta ao ventre
Ferida fatal
A descartada vida
Por anos ensaiada
Perdeu o valor
Ordem de despejo
Estréia cancelada
Sem direitos
Nem o último desejo
Aguardando a deixa
Por um momento
Alma mutilada
Espelho apedrejado
Fragilidade dá azar
Chega de sofrimento
Lembrança assassinada
Hora de parar de chorar
E dentro do sonho
Não havia nada
Nada mais eu vejo




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Eu achei que sabia

Eu achei que sabia alguma coisa sobre a vida, sobre a minha vida. Depois de tantos dramas e tramas densas, doloridas, pensava ter encontrado a justificativa. Cheguei até aqui, o motivo era louvável. A causa. A razão. Quando você acha que sabe e acredita, persiste, entrega, exercita o melhor das suas habilidades, faculdades, intenções. Não investe apenas o tempo (sonhos, desejos, projetos). São palavras, pensamentos, vibrações, sentimentos, partículas de energia... Quando você se decide doar. Uma doação sem precedente, aquela que não é objeto de uma ação, ou produto de atividade. Não é algo que você faz, sabe, ou sente. É mais. É a percepção de que não é suficiente, melhor ser desmedida em quantidade e deixar sobrar o máximo possível. E por isso, doar-se. "Seja minha" vida, história, ideia, memória ... "seja minha" e tudo o que era seu, dentro do seu eu é assim doado. Transferência concluída. Começada. Eu achei que sabia alguma coisa e por pretensamente saber, pensei que eu merecia. Acreditar. Não doeria. A exposição. A mais verdadeira intenção. Sonhos infantis, heróis, contos de fadas. O roteiro da realidade é tão diferente. Mesmo com tantos problemas, durante anos... "era uma vez". A esperança robusta é capaz de defender os planos. Renovar. O preço. Os danos. Subvertida a ordem: mil passos antes do primeiro. Cair em si, depois de voar tão alto. Pior mesmo é perceber que o primeiro nem chegou a ser derradeiro. De promessa tão sublime, não chegou a existir. Cinema sem pipoca, sem filme, sem final feliz. Eu achei que sabia. Eu acreditei. Jogo o lenço. Desisto. Ele é branco, mas não me trará a paz. É luto, mesmo. Imersa em toda a simbologia, das frases que se repetem, memórias antigas-recentes. Tanto significado, agora sem sentido. É muito triste entender que a vida não é justa consigo. Neste caso, comigo. Dói. Não me conformo.